POLÍTICA E CULTURA
Domingo retrasado a leitura da missa foi retirada do Evangelho de São Marcos capítulo 10 versículos de 42 a 43. Dizia que os poderosos governam e abusam do povo, mas que entre seus discípulos não deveria ser assim. Aquele que quisesse ser o primeiro, entre eles, deveria servir a todos.
É impossível não colocar-se diante dessas palavras pensando como também hoje a política normalmente não é feita para o povo, mas para o poder daqueles que governam. Somente haverá uma verdadeira política no sentido cristão quando as pessoas fizerem essa atividade como serviço ao outro.
Por isso motivo nós do Grupo Política e Cultura (GPC) colocamos como fundamental do nosso trabalho a proposta de uma cultura nova, onde a solidariedade e ajustiça social seja a nossa marca.
Ao lado, estamos disponibilizando o texto de Luigi Giussani, que tem nos servido de referência para esse trabalho e que se você quiser debatê-lo conosco entre em contato no meu email. Venha particpar de nossa próxima reunião.
Somente um movimento social assim, como fala Giussani neste texto, pode ser base para uma política e um estado de fato voltados para o bem do povo.
Esta semana como consequência dos fatos ocorridos no Rio de Janeiro no final de semana retrasado, onde a violência foi a marca maior na luta de gangues do tráfico, apareceram vários artigos da imprensa destacando que é necessário e possível fazer alguma coisa para enfrentar essa verdadeira vergonha nacional.
O que me chamou a atenção como uma marca comum entre estes artigos é a relação feita entre estes fatos e os eventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos na cidade. De como se os governos não resolverem esta questão, existe um risco de fracasso desses eventos.
Ainda que concordemos com importância que a Copa e as Olímpiadas podem representar para o país, como desenvolvimento econômico e até social, não podemos deixar de notar como a frase de Cristo no evangelho é verdadeira ainda hoje. O problema do tráfico e da violência com ele associada somente nesses momentos interessa aos poderosos. O fato que nessas vilas existam muitos de nossos irmãos que tem a sua vida desgraçada por esta chaga a tantos anos não tem iteressado a eles0.
Vale o peso do poder econômico, mas não a vida de nossos irmãos.
Sabemos que não é um problema de fácil solução, mas que deve ser enfrentado por todos nós, especialmente por aqueles que fazem um trabalho político ou social, porque milhares de pessoas em nosssas cidades sofrem diariamente e isso é uma grande injustiça nossa com elas.
Façamos das palavras do Cristo as nossas: que a nossa política seja de verdade um serviço aos irmãos, em especial aqueles mais necessitados, e que hoje vivem nas vilas das nossas cidades.
A proposta deste Blog é debater e propor soluções para a realidade social e política. Na nossa visão a política deve ter como referência a pessoa, e assim, a sociedade frente ao estado, favorecer o tecido social criado por relacionamentos dinâmicos de movimentos e associações. Uma ação política voltada para o bem comum é fruto de uma ordem democrática baseada nos princípios da justiça social, da solidariedade e subsidariedade.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
ÉTICA. ÉTICA. ÉTICA NO BRASIL?
POLÍTICA E CULTURA
Este domingo a Folha de São Paulo publicou uma pesquisa no caderno Mais, intitulada "Retrato da Ética no Brasil", da qual se depreende que no nosso país nesse assunto vale mais o faça o que eu falo e não o que eu faço.
Exemplos citados no jornal: "79 % do entrevistados dizem que os brasileiros vendem voto. 33% não é possível fazer política sem um pouco de corrupção. 12 % eu aceitaria dinheiro para vender meu voto."
Em outro trecho da publicação: "para brasileiro corrupção é sinônimo de política. "
Neste mesmo dia antes de ter lido o jornal, passeando pela Lagoa da Pampulha mais uma vez fui forçado a fazer uma reflexão que já fiz muitas vezes. Um menino de cinco para sete anos andava com um coco junto com sua mãe que observava a lagoa. O menino acabou deixando o coco cair a poucos passos de um lixo. A mãe não fez qualquer menção de orientá-lo a não fazer aquilo e pegar o coco ou fazê-lo pegar (depende de como cada um educa seu filho) e colocar o lixo no lixo. Evidentemente os exemplos deseducativos dos pais em relação a seus filhos são muitos, em todas classes sociais. Evidentemente esse menino terá grande chance de, quando adulto, repetir isso.
Conversando outro dia com um jornalista, ele me disse que muitas vezes quando alguém reconhece-o em público, imediatamente pergunta se não pode dar uma ajuda para tirar carteira, sem exame evidentemente.
Poderiamos citar, ainda, muito outros exemplos. O que quero dizer é que para uma ética de verdade em primeiro lugar estou eu e meus próximos (família e comunidade a que pertenço). É muito fácil dizer que os políticos são corruptos (porque muitos deles fazem questão de dar exemplos todos os dias), porém é preciso reconhecer que na correção do problema, e principalmente em viver de modo ético, sou eu que estou em primeiro lugar.
Por isso insistimos que a política, a questão ética na sociedade, somente se resolverão pela cultura, ou seja aquele espaço de sociedade onde vivo e que essa mudança de postura diante da vida, dos outros com quem convivo no trabalho ou na vizinhança, tem de ser uma realidade hoje. Esse processo evidentemente é educativo, por isso temos sempre apontado aqui que entre todas as prioridades sociais a maior é a da urgência educativa.
Este domingo a Folha de São Paulo publicou uma pesquisa no caderno Mais, intitulada "Retrato da Ética no Brasil", da qual se depreende que no nosso país nesse assunto vale mais o faça o que eu falo e não o que eu faço.
Exemplos citados no jornal: "79 % do entrevistados dizem que os brasileiros vendem voto. 33% não é possível fazer política sem um pouco de corrupção. 12 % eu aceitaria dinheiro para vender meu voto."
Em outro trecho da publicação: "para brasileiro corrupção é sinônimo de política. "
Neste mesmo dia antes de ter lido o jornal, passeando pela Lagoa da Pampulha mais uma vez fui forçado a fazer uma reflexão que já fiz muitas vezes. Um menino de cinco para sete anos andava com um coco junto com sua mãe que observava a lagoa. O menino acabou deixando o coco cair a poucos passos de um lixo. A mãe não fez qualquer menção de orientá-lo a não fazer aquilo e pegar o coco ou fazê-lo pegar (depende de como cada um educa seu filho) e colocar o lixo no lixo. Evidentemente os exemplos deseducativos dos pais em relação a seus filhos são muitos, em todas classes sociais. Evidentemente esse menino terá grande chance de, quando adulto, repetir isso.
Conversando outro dia com um jornalista, ele me disse que muitas vezes quando alguém reconhece-o em público, imediatamente pergunta se não pode dar uma ajuda para tirar carteira, sem exame evidentemente.
Poderiamos citar, ainda, muito outros exemplos. O que quero dizer é que para uma ética de verdade em primeiro lugar estou eu e meus próximos (família e comunidade a que pertenço). É muito fácil dizer que os políticos são corruptos (porque muitos deles fazem questão de dar exemplos todos os dias), porém é preciso reconhecer que na correção do problema, e principalmente em viver de modo ético, sou eu que estou em primeiro lugar.
Por isso insistimos que a política, a questão ética na sociedade, somente se resolverão pela cultura, ou seja aquele espaço de sociedade onde vivo e que essa mudança de postura diante da vida, dos outros com quem convivo no trabalho ou na vizinhança, tem de ser uma realidade hoje. Esse processo evidentemente é educativo, por isso temos sempre apontado aqui que entre todas as prioridades sociais a maior é a da urgência educativa.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
E ai doutor, esse Lula está certo?
Política e Cultura
Outro dia fui questionado deste modo por uma colega de trabalho, a auxiliar de enfermagem do ambulatório onde trabalho. Resolvi escrever sobre isso, porque um tema quando chega a tornar-se assunto de conversa no trabalho é porque atingiu o povo de fato. Evidentemente o tamanho da dificuldade na qual o Brasil se meteu na área diplomática é muito grande. Isso foi uma ação de um microimperialismo como fala a Veja desta semana? Debater esse tema ajuda a expor mais o método do trabalho político que nós do GPC propomos.
Em primeiro lugar sobre o mesma tema é possível identificar na imprensa opiniões divergentes. evidentemente isso ocorre dependendo de qual é a posição daquela determinada pessoa a respeito de um certo tema, previamente ao fato que está sendo analisado. Isso chama-se ideologia: se a opinião é de alguém partidário do governo Lula, essa foi uma ação de alto nível político e de diplomacia, que serviu para aumentar o papel do Brasil no cenário internacional. Se é de alguém contrário ao governo Lula, essa foi uma lambança política e diplomática, que nada ajuda o Brasil.
Nós do GPC propomos olhar para os fatos, ou seja, para experiência real, buscando julgá-la com o critério que coloque a pessoa ( a nossa e de todos os envolvidos, em primeiro lugar). A pessoa aqui é a pessoa real, concreta, com seu desejo de felicidade e realização. Sendo assim, não importa se o governo fez uma ação planejada com o próprio Zelaya ou se ele bateu na porta da nossa embaixada em Tegucigalpa. O que importa é como o que está de fato ocorrendo interfere com as pessoas do povo, o primeiro atingido com qualquer ação política.
Nós não podemos concordar com golpes de estado, nem mesmo com interferência de potências grandes ou pequenas na auto-determinação dos povos.
Sendo assim, olhando o fato como uma ação da diplomacia brasileira, visando uma ação política contrária a um golpe de estado, todos temos de ser favoráveis. É evidente, porém, que nunca se justifica quando isso deixa de ser diplomacia e passa a ser exercício do poder maior que eu tenho. O Brasil caso quisesse ter agido diplomatica e democraticamente deveria ter agido antes, que de qualquer modo não estaríamos na situação que estamos, que é o pior dos mundos. A violência pode somente aumentar e consequentemente quem sofrerá será o povo de Honduras, e o mais pobre desse.
Tendo acontecido a chegada de Zelaya a porta da nossa embaixada, certamente não poderíamos expulsá-lo, não contribuiria para melhorar a situação, mas o que fazer? Não vemos no momento acontecer da parte brasileira nenhuma ação verdadeiramente democrática. O governo brasileiro não pode falar não falo com golpistas, porque é o governo instalado (ainda que não democrático). Imagine se outros países falassem não falo com governos envolvidos com corrupção, em que o legislativo está envolvido com corrupção, será que nós brasileiros acharíamos correto?
Considerando a situação, a única saída é o diálogo e a disposição de cada parte, grupo Micheletti e grupo Zelaya, de perder algo que já tenha conquistado. É isso, que o governo brasileiro deveria exigir do seu hóspede, que mais parece o dono da casa. Isso está evidentemente equivocado. Eu dou para você essa acolhida, mas o que você está disponível a deixar por um menor sofrimento do seu povo. Para o governo instalado ainda que por um golpe, eu me retiro do processo, mas quais as condições que me oferece?
Evidentemente todos estes fatos se dão no real e não aqui nesse espaço que eu escrevo, mas sem um critério que privilegie o povo, as pessoas concretas, qualquer ação conduzirá a situações políticas que somente servirão para aumentar o sofrimento das pessoas, que é algo deve ser sempre evitado, mesmo que naquela situação exista um conjunto de problemas com os quais eu não compartilho. Em primeiro lugar é a pessoa, diminuir o seu sofrimento é sempre a primeira coisa a ser buscada em qualquer ação política.
Outro dia fui questionado deste modo por uma colega de trabalho, a auxiliar de enfermagem do ambulatório onde trabalho. Resolvi escrever sobre isso, porque um tema quando chega a tornar-se assunto de conversa no trabalho é porque atingiu o povo de fato. Evidentemente o tamanho da dificuldade na qual o Brasil se meteu na área diplomática é muito grande. Isso foi uma ação de um microimperialismo como fala a Veja desta semana? Debater esse tema ajuda a expor mais o método do trabalho político que nós do GPC propomos.
Em primeiro lugar sobre o mesma tema é possível identificar na imprensa opiniões divergentes. evidentemente isso ocorre dependendo de qual é a posição daquela determinada pessoa a respeito de um certo tema, previamente ao fato que está sendo analisado. Isso chama-se ideologia: se a opinião é de alguém partidário do governo Lula, essa foi uma ação de alto nível político e de diplomacia, que serviu para aumentar o papel do Brasil no cenário internacional. Se é de alguém contrário ao governo Lula, essa foi uma lambança política e diplomática, que nada ajuda o Brasil.
Nós do GPC propomos olhar para os fatos, ou seja, para experiência real, buscando julgá-la com o critério que coloque a pessoa ( a nossa e de todos os envolvidos, em primeiro lugar). A pessoa aqui é a pessoa real, concreta, com seu desejo de felicidade e realização. Sendo assim, não importa se o governo fez uma ação planejada com o próprio Zelaya ou se ele bateu na porta da nossa embaixada em Tegucigalpa. O que importa é como o que está de fato ocorrendo interfere com as pessoas do povo, o primeiro atingido com qualquer ação política.
Nós não podemos concordar com golpes de estado, nem mesmo com interferência de potências grandes ou pequenas na auto-determinação dos povos.
Sendo assim, olhando o fato como uma ação da diplomacia brasileira, visando uma ação política contrária a um golpe de estado, todos temos de ser favoráveis. É evidente, porém, que nunca se justifica quando isso deixa de ser diplomacia e passa a ser exercício do poder maior que eu tenho. O Brasil caso quisesse ter agido diplomatica e democraticamente deveria ter agido antes, que de qualquer modo não estaríamos na situação que estamos, que é o pior dos mundos. A violência pode somente aumentar e consequentemente quem sofrerá será o povo de Honduras, e o mais pobre desse.
Tendo acontecido a chegada de Zelaya a porta da nossa embaixada, certamente não poderíamos expulsá-lo, não contribuiria para melhorar a situação, mas o que fazer? Não vemos no momento acontecer da parte brasileira nenhuma ação verdadeiramente democrática. O governo brasileiro não pode falar não falo com golpistas, porque é o governo instalado (ainda que não democrático). Imagine se outros países falassem não falo com governos envolvidos com corrupção, em que o legislativo está envolvido com corrupção, será que nós brasileiros acharíamos correto?
Considerando a situação, a única saída é o diálogo e a disposição de cada parte, grupo Micheletti e grupo Zelaya, de perder algo que já tenha conquistado. É isso, que o governo brasileiro deveria exigir do seu hóspede, que mais parece o dono da casa. Isso está evidentemente equivocado. Eu dou para você essa acolhida, mas o que você está disponível a deixar por um menor sofrimento do seu povo. Para o governo instalado ainda que por um golpe, eu me retiro do processo, mas quais as condições que me oferece?
Evidentemente todos estes fatos se dão no real e não aqui nesse espaço que eu escrevo, mas sem um critério que privilegie o povo, as pessoas concretas, qualquer ação conduzirá a situações políticas que somente servirão para aumentar o sofrimento das pessoas, que é algo deve ser sempre evitado, mesmo que naquela situação exista um conjunto de problemas com os quais eu não compartilho. Em primeiro lugar é a pessoa, diminuir o seu sofrimento é sempre a primeira coisa a ser buscada em qualquer ação política.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
BRASIL E EUA: quem é melhor?

POLÍTICA E CULTURA
Na Veja de semana passada foi feita uma análise de como o mundo e, especialmente, o Brasil sairá da Crise. Entre os artigos um muito interessante é o que faz a comparação da evolução dos países da América Latina com EUA e Canadá( Em busca do tempo perdido de André Petry - edição 2130 - revista Veja - 138 a 144) quanto aos motivos que levaram a diferença de riqueza entre eles. Neste artigo é mostrado o gráfico acima que informa que América Latina e Brasil tinham PIB per capita igual ou próximo à EUA e Canadá até o início do século XIX. A partir de então há um crescimento totalmente diferenciado fazendo que dois séculos depois a diferença fosse tal, que o PIB per capita deles é 5 vezes maior que o nosso.
Apresenta e discute todas as hipóteses do porque da existência desse fosso, analisando as razões sociais, culturais (inclusive as diferenças religiosas muitas vezes citadas) e econômicas. Conclui citando o que considera os dois principais fatores:
Educação do Povo: "Entre os economistas, sociólogos e historiadores, há controvérsia sobre os fatores decisivos para o desenvolvimento, mas existe o consenso de que, sem educação, não há avanço"
Intituições políticas e econômicas - democracia: "Eis um favor decisivo: instituições, para produzir efeito, precisam ser absorvidas. Sem a intermediação da política, elas não desabrocham".
Ainda que não concordemos com todas opinões citadas nestes artigos (leia e faça sua opinião e a escreva para mim) consideramos fundamental a importância dada a educação e a política (democracia). Porém, os artigos pecam num ponto que temos levantado neste blog e que é motivo da enquete ao lado, de que se estamos saindo, é da crise econômica, mas da crise ética (ou seja dos valores, da cultura) que levou a esse consumo desenfreado estamos longe até de compreendê-la. Sendo assim, a educação é fundamental, porém não existe povo educado sem que haja na base uma concepção de homem que a sustenta, ser educado é ser humano, mas isso não se compreende mais em nossos dias.
Quanto a política, evidentemente não é possivel uma política que seja uma real contribuição para o povo se não há homens (alguém que considera que o seu bem está no bem do outro por exemplo), e a existência de homens está vinculada a cultura que é o chão onde ele cresce.
Por isso, propomos política e cultura, ou seja, uma política que nasça de uma cultura verdadeiramente cristã, fraterna e social, como a nossa forma de contribuirmos ao desenvolvimento social e político de nosso país.
Hoje é o início da primavera, mas também dia internacional da paz. Que este início da época do ano na qual florescem as flores, seja o início dessa flor que todos queremos, A PAZ, que é fruto da justiça, que não é possível sem uma ação política verdadeira e engajada de todos nós.
Venha participar conosco.
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