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terça-feira, 12 de julho de 2011

MEIO AMBIENTE E POLÍTICA UMA CONTA QUE NÃO FECHA

Nas últimas duas semanas me deparei com duas notícias que me levaram a essa conclusão: a questão ambiental e a política são como uma conta que não fecha, em que dois mais dois são iguais a cinco.

A primeira foi de semana passada uma importante matéria do Jornal de Opinião "Escassez de água ameaça grandes centros urbanos do país" (de Henrique Ulhoa nas páginas 8 e 9 do jornal nº 1151).

O artigo começava do seguinte modo "dono do maior potencial hídrico do mundo, o Brasil corre o risco de sofrer em 2015 falta de abastecimento de água em mais da metade dos municípios" e concluia a introdução dizendo "se não houver investimento necessários para evitar a escassez, a população sofrerá com o desabastecimento" e aponta como a causa principal o "problema de gerenciamento".

A primeira vista poderíamos concluir que é um problema de gestão, mas o problema na realidade é principalmente político: de decisão de e como investir, se é para corrigir problemas reais ou não.

A segunda li quando "twitava" no site de O Globo sobre desvios de verbas que estão ocorrendo em municípios da região serrana do Rio de Janeiro onde ocorreu aquele desastre humano e ambiental de quase 900 mortes e a destruição de bairros e cidades (http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/07/12/ministerio-publico-federal-obtem-mandados-de-busca-apreensao-de-40-processos-na-prefeitura-de-nova-friburgo-924882105.asp).

A reportagem apresentava uma ação da polícia federal que tinha conseguido mandados de busca a apreensão de mais de 40 processos que estão na prefeitura de Nova Friburgo (a cidade mais devastada), na Região Serrana. Eles buscavam averiguar a existência de "irregularidades na aplicação de recursos da União e cobrança de propina durante a reconstrução dos municípios de Teresópolis e Nova Friburgo após as enxurradas que devastaram a região no começo do ano".

Alguém pode ter pensado que depois dos acontecimentos que ocorreram na região o principal e único problema era a existência ou não de recursos, ou seja gestão, mas não, os recursos (não sei avaliar se suficientes, provavelmente não) que chegaram estariam sendo desviados, ou seja, problema político, decisão de como aplicar os recursos que existem, na solução de problemas concretos ou não.

Será que alguém tem dúvida de que se nada for feito as 900 mortes serão somente o desastre humano que foram, mas não terão efetivado a principal lição que elas ensinaram, poderiam ter sido evitadas se tivessem sido corrigidos os problemas que pioraram a uma ação da natureza.

Por isso disse que MEIO AMBIENTE E POLÍTICA SÃO UMA CONTA QUE NÃO FECHA, um dois mais dois igual a cinco, porque como pode alguém que recebeu um mandato público usar um dinheiro que veio por causa tão importante com finalidades tão mesquinhas?

O que foi identificado no Ministério dos Transportes não é senão outro exemplo do mesmo assunto. Estamos no meio de uma situação que ninguém sabe ao certo onde chegará em função dos grandes eventos esportivos dos próximos anos, onde uma prioridade de altíssima ordem é exatamente a solução dos graves problemas que o país ainda tem em infra-estrutura e é identificado num ministério profundamente responsável na solução deles, desvio de verbas cuja finalidade seria a solução de problemas concretos para usá-los em interesses tão MESQUINHOS.

Mas tudo isso seria mais do mesmo que nos últimos tempos ocorrem como denúncia da imprensa (felizmente) quase todos os dias, se nós não fossemos obrigados a refletir o seguinte: quem sofre ou sofrerá com o problema da falta de água, do transporte precário, do risco ambiental são as pessoas que na maioria das vezes dão poder a esses políticos.

QUEM VOTA NELES NA MAIOR PARTE DAS VEZES SÃO OS MESMOS QUE SOFREM AS CONSEQUÊNCIAS DAS SUA AÇÃO CORRUPTA!

No meio disso tudo estamos nós que nos damos contas disso, porque por razões variadas tivemos oportunidades na vida que outros não tiveram: família e estudo para mim são as principais, mas certamente a lista a nosso "favor" não é pequena.

Por isso escrevi isso tudo e por isso penso que a nossa participação na política é o mínimo que podemos fazer. Não podemos usar como nosso álibi o fato que as coisas tem permanecido assim e permanecerão provavelmente porque a nosssa força é pequena diante do problema.

COMECEMOS A AGIR ENTÃO AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES SÃO "SEMANA" QUE VEM.

Isso não diminui a nossa responsabilidade somente a aumenta.

2 comentários:

luisaminami disse...

Fico indignada com a falta de humanidade e de patriotismo dos politicos, seria muito bom se pudessemos aprende a votar, se as pessoas não se corropessem, e se realmente o poder qiue emana do povo fosse usado a favor dele.......

M. Luisa Scaranci Minami

Carla Anunciatta de Carvalho disse...

Dr. Benedito, sempre concordo com suas análises conscientes, da situação de nosso país. Concordo plenamente com sua opinião sobre o papel da educação para coibir esses abusos de políticos corruptos e insensíveis. Por isso gostaria que o senhor voltasse os olhos para a situação da educação pública em nosso Estado. Enquanto assistimos propagandas enganosas sobre números irreais sobre Minas avança na Educação, vemos nossos filhos a mais de 60 dias sem aulas porque o nosso Governador Antônio Anastasia não cumpre a Lei ao não pagar o Piso Salarial, vigente em nosso país, aos professores. Não se preocupar com educação, saúde e segurança é a mesma coisa que assassinar as pessoas lentamente. E é só isso o que esses políticos sabem fazer muito bem! Em todos os níveis, Federal, Estadual e Municipal. Nas próximas eleições devemos nos lembrar disso.