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terça-feira, 29 de setembro de 2009

E ai doutor, esse Lula está certo?

Política e Cultura

Outro dia fui questionado deste modo por uma colega de trabalho, a auxiliar de enfermagem do ambulatório onde trabalho. Resolvi escrever sobre isso, porque um tema quando chega a tornar-se assunto de conversa no trabalho é porque atingiu o povo de fato. Evidentemente o tamanho da dificuldade na qual o Brasil se meteu na área diplomática é muito grande. Isso foi uma ação de um microimperialismo como fala a Veja desta semana? Debater esse tema ajuda a expor mais o método do trabalho político que nós do GPC propomos.

Em primeiro lugar sobre o mesma tema é possível identificar na imprensa opiniões divergentes. evidentemente isso ocorre dependendo de qual é a posição daquela determinada pessoa a respeito de um certo tema, previamente ao fato que está sendo analisado. Isso chama-se ideologia: se a opinião é de alguém partidário do governo Lula, essa foi uma ação de alto nível político e de diplomacia, que serviu para aumentar o papel do Brasil no cenário internacional. Se é de alguém contrário ao governo Lula, essa foi uma lambança política e diplomática, que nada ajuda o Brasil.

Nós do GPC propomos olhar para os fatos, ou seja, para experiência real, buscando julgá-la com o critério que coloque a pessoa ( a nossa e de todos os envolvidos, em primeiro lugar). A pessoa aqui é a pessoa real, concreta, com seu desejo de felicidade e realização. Sendo assim, não importa se o governo fez uma ação planejada com o próprio Zelaya ou se ele bateu na porta da nossa embaixada em Tegucigalpa. O que importa é como o que está de fato ocorrendo interfere com as pessoas do povo, o primeiro atingido com qualquer ação política.
Nós não podemos concordar com golpes de estado, nem mesmo com interferência de potências grandes ou pequenas na auto-determinação dos povos.

Sendo assim, olhando o fato como uma ação da diplomacia brasileira, visando uma ação política contrária a um golpe de estado, todos temos de ser favoráveis. É evidente, porém, que nunca se justifica quando isso deixa de ser diplomacia e passa a ser exercício do poder maior que eu tenho. O Brasil caso quisesse ter agido diplomatica e democraticamente deveria ter agido antes, que de qualquer modo não estaríamos na situação que estamos, que é o pior dos mundos. A violência pode somente aumentar e consequentemente quem sofrerá será o povo de Honduras, e o mais pobre desse.
Tendo acontecido a chegada de Zelaya a porta da nossa embaixada, certamente não poderíamos expulsá-lo, não contribuiria para melhorar a situação, mas o que fazer? Não vemos no momento acontecer da parte brasileira nenhuma ação verdadeiramente democrática. O governo brasileiro não pode falar não falo com golpistas, porque é o governo instalado (ainda que não democrático). Imagine se outros países falassem não falo com governos envolvidos com corrupção, em que o legislativo está envolvido com corrupção, será que nós brasileiros acharíamos correto?
Considerando a situação, a única saída é o diálogo e a disposição de cada parte, grupo Micheletti e grupo Zelaya, de perder algo que já tenha conquistado. É isso, que o governo brasileiro deveria exigir do seu hóspede, que mais parece o dono da casa. Isso está evidentemente equivocado. Eu dou para você essa acolhida, mas o que você está disponível a deixar por um menor sofrimento do seu povo. Para o governo instalado ainda que por um golpe, eu me retiro do processo, mas quais as condições que me oferece?


Evidentemente todos estes fatos se dão no real e não aqui nesse espaço que eu escrevo, mas sem um critério que privilegie o povo, as pessoas concretas, qualquer ação conduzirá a situações políticas que somente servirão para aumentar o sofrimento das pessoas, que é algo deve ser sempre evitado, mesmo que naquela situação exista um conjunto de problemas com os quais eu não compartilho. Em primeiro lugar é a pessoa, diminuir o seu sofrimento é sempre a primeira coisa a ser buscada em qualquer ação política.

Um comentário:

Renato BF disse...

Excelente post Dr.Bene!!!
Continue assim....
Os juizos do GPC são importantes pra gente!
Abração
Renato