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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

GOVERNAR É PRECISO, PLANEJAR TAMBÉM É PRECISO

Peguei um taxi estes dias e nossa conversa sugeriu essa reflexão. Passávamos por um viaduto e ele comentou como eram bacanas as mudanças feitas em BH na avenida Antonio Carlos, mas que apesar delas o número de carros só aumenta e assim o trânsito continua ruim. Realmente a observação dele me levou a refletir que não é possível governar sem planejar.

Governar implica tomada de decisões, avaliar e priorizar problemas, considerar o que ocorrerá a médio e longo prazo. Como no caso citado acima, quanto tempo as reformas feitas na avenida Antonio Carlos responderão aos problemas de trânsito se houve um aumento do número de carros concomitante?

Para responder a isso um governo deve usar as ferramentas da gestão como ocorreu nos últimos governos de Minas Gerais. O que aconteceu nesses governos foi uma relação positiva entre política e uma gestão competente.

O que eles indicam é que para governar é necessário equilibrar os componentes político e gestão.

Durante esse início do governo federal este tema tem sido recorrente de um modo que não se entende como deve acontecer essa relação.

Lula era político, Dilma é gestora, ela conseguirá o sucesso que ele teve? Como um bom gestor vai se relacionar com os políticos, sendo que ela necessitará desse relacionamento com eles para governar. Esse debate mostra que essa relação não está totalmente clara.

O problema é que não é possível uma boa gestão sem uma boa política e vice versa. O tema da gestão entrou na política. Mas qual a relação saudável entre elas? No caso das políticas públicas, política e gestão são inseparáveis.

Essa discussão está frequentemente presente nos níveis gerenciais de governos no Brasil. Esta relação é vista como antagônica, ou seja, a política sempre atrapalha um bom governo no sentido de uma boa gestão pública. Os técnicos de ministérios e secretarias habitualmente não vêem os políticos com bons olhos, na melhor das hipóteses devem ser controlados.

Já os políticos na maior parte dos casos vêem os gestores como um mal a ser tolerado para dar ao governo um ar de modernidade, pois hoje é um consenso na sociedade brasileira que a gestão pública necessita ganhar uma dimensão empresarial.

Mas de onde vem esse aparente  e não real antagonismo?

Da realidade dos nossos governos que quase diariamente dão maus exemplos e recolocam o problema. As recorrentes enchentes, a desse ano no Rio de Janeiro, mais todas as anteriores em diferentes estados mostraram carência de gestão associada com politicagem que permitiu a construção irregular e por isso de risco.

Outro exemplo é a política de segurança no país feita de modo quase amadorístico e com envolvimento daqueles que deviam resolver com aqueles que ocasionam os problemas.

Sendo assim esse antogonismo nasce ou de uma má política ou uma de uma má gestão, como ocorreram nos exemplos acima.

Há algumas semanas atrás a revista VEJA (leia aqui) trouxe uma reportagem que mostrava como os números foram distorcidos no governo Lula. O interessante é que os números verdadeiros não eram ruins. Porque distorcê-los então? Porque havia uma sucessão presidencial em discussão, para ganhar a eleição, ou seja, um motivo estritamente político. Aqui está um raciocínio que introduz muito mal no campo político, já que o objetivo é ganhar eleições como se fosse um jogo, o bem público fica sempre em segundo lugar.

A presidente Dilma foi eleita pela ação política de Lula, mas com fama de ser uma boa gestora. Nesses quarenta dias iniciais não é possível saber qual será o seu resultado evidentemente, mas se não colocar a gestão de qualidade como uma prioridade política o resultado será de algum modo negativo.

Seria muito interessante se seguisse o exemplo mineiro. Para isso é necessário que as decisões políticas sejam tomadas não como se fosse um puro jogo de interesses, mas aquilo que verdadeiramente a POLÍTICA É, UM TRABALHO EM FUNÇÃO DO BEM COMUM.

2 comentários:

diegoln disse...

Essa questão de haver um gestor e/ou político na administração executiva é mesmo necessária.
Veja o exemplo de Belo Horizonte: nosso atual prefeito é reconhecidamente um bom empresário e gestor, nunca teve uma ampla movimentação e inserção política. O que se fez? O vice-prefeito é um excelente político, antes de assumir tal cargo era presidente da ALMG, ou seja, sabe lidar com o jogo político.
Resultado: BH está se desenvolvendo à olhos vistos, com um excelente planejamento e execução perceptível até o mais displicente eleitor. A máquina pública funcionando muito bem em diversas áreas, desde educação, transporte, segurança e, com algumas limitações, na saúde também!
Então, o que podemos esperar da esfera federal? Nada menos que isso, pois vê-se que é possível haver um bem comum. Eu, particularmente, não sou afeto no nosso vice-presidente, mas isso não reduz meu desejo que ele faça efetivamente o jogo político, assim como em BH, enquanto a presidente geri e governa.

Eder Luiz Nogueira disse...

O pensamento que me ocorre ao ler o artigo é que, realmente, são indissociáveis a política e a gestão. A reflexão que o texto provoca diz respeito aos interesses que dissociam ambas e produzem alguma coisa que não é política nem gestão. Se por um lado, temos exemplos de ações que as compatibilizam, por outro, ocorrem práticas que, além de dissociá-las, têm como resultado algo que se aproxima da má fé no trato com as políticas públicas e que priorizam anseios particulares em detrimento das exigências coletivas.